A Ortomolecular é a medicina do futuro?

É conhecido, com base em estudos científicos, que certas dietas ou hábitos alimentares podem causar ou prevenir um enorme número de doenças, em geral as denominadas doenças comuns ou multifatoriais. E mesmo em relação às doenças genéticas ou mendelianas, a nutrição pode regredir ou acelerar o seu desenvolvimento.

 

Porque é que a dieta pode influenciar o estado de saúde?

De uma forma simples, pode-se explicar da seguinte forma: assim como quando se toma um medicamento, de forma regular, este exerce sobre nós o seu efeito terapêutico e quando se toma um veneno, de forma regular, este intoxica-nos rápida ou lentamente.

O que ingerimos na nossa dieta, seja líquido ou sólido, de forma regular, vai influir sob o nosso equilíbrio interno, modificando o correto funcionamento do organismo tanto física como psicologicamente, conduzindo, ao fim de um determinado período do tempo, ao aparecimento de patologias crónicas ou à alteração do nosso comportamento.

O que comemos pode ser usado para fabricar substâncias pró-inflamatórias, anti-inflamatórias, neurotransmissores, estruturas articulares, da retina, dos vasos sanguíneos, do sangue, etc. Se não estiver em respeito (equilíbrio) com o que os nossos genes esperam, será difícil conseguir que não degeneremos. Se ingerimos substâncias que interferem com a síntese das membranas das células estas podem perder funções.

Se ingerimos mais precursores de substâncias pró-inflamatórias que anti-inflamatórias quando, por qualquer motivo, ocorrer uma inflamação, esta terá mais dificuldade em terminar, da mesma forma que uma floresta arde mais se for predominantemente composta por árvores resinosas.

Por isto é fácil entender que não se pode tratar uma pessoa doente sem modificar a sua dieta. Podemos até conseguir fazer desaparecer os sintomas mas não vamos atingir o estado de equilíbrio sustentado e mais tarde voltará a manifestar-se a patologia, quer seja no mesmo local ou não.

 

Nutrição Ortomolecular: a medicina do futuro?

É a partir deste conhecimento que se desenvolve este tipo de nutrição. Alguns investigadores também a apelidam de medicina celular.

Não é de estranhar que muitos deles sejam, de formação base, médicos, bioquímicos, biólogos, etc., que trabalhando em investigação aperceberam-se que haveria uma forma mais lógica e menos nefasta de abordar as doenças. Ou seja, em vez de se substituir no organismo com drogas sintéticas ou naturais, esta terapêutica consiste em fornecer ao organismo os nutrientes essenciais que este necessita para atingir o estado de equilíbrio, respeitando a forma como funciona e utilizando isso em seu favor. Os resultados são de tal maneira excecionais que se diz ser a medicina do futuro.

Linus Pauling, duas vezes galardoado com um prémio Nobel, foi um dos seus maiores impulsionadores e os estudos que realizou marcaram totalmente o entendimento das funções e repercussões de alguns nutrientes essenciais. O seu braço direito e seguidor, o reputadíssimo investigador Matthias Rath, seguindo o trabalho de Linus Pauling, marcou para sempre o nosso entendimento sobre a origem, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, além de estar a revolucionar o tratamento de diversos cancros apenas com doses elevadas de alguns nutrientes essenciais.

Abram Hoffer, médico psiquiatra e investigador, mudou a forma como encaramos as doenças psiquiátricas e muitas doenças dadas como incuráveis para a medicina convencional. Estas não o são mais para esta classe de médicos ortomoleculares.

Johanna Budwig, celebre cientista e bioquímica alemã, sete vezes nomeada para prémio Nobel, foi responsável por grande parte do conhecimento que temos sobre a relação entre gorduras polinsaturadas e o cancro. Apesar da repressão e perseguição por parte de alguns “ditadores da ciência”, seguiu curando e transmitindo o seu conhecimento e abordagem científica.

Mas estes não são os únicos investigadores. Existem muitos mais cujo trabalho também abordamos durante o curso de Nutrição Aplicada, disponível na EMAC – Escola de Medicinas Alternativas e Complementares e Saúde Integral, sediada no Porto.

 

Microecologia intestinal: o que sabemos sobre o nosso organismo?

Com o avanço e o conhecimento do "segundo cérebro" mudaram-se também as atenções nas doenças psiquiátricas. Além disso, com os trabalhos efetuados no campo da microbiologia, apercebemo-nos que há algo de que conhecemos pouco e de que nos temos esquecido: a relação entre hóspedes e hospedeiro. Não sabemos tudo sobre que bactérias habitam o nosso tubo gastrointestinal, onde habitam, como interagem entre si e com o nosso organismo, em especial o nosso sistema imunológico. Sabemos, por exemplo, que algumas estirpes de bactérias "treinam" o nosso sistema imunológico contra determinados agentes patogénicos em troca de casa e comida. Sabemos também que algumas, utilizando o "mimetismo molecular" para se "esconderem", desencadeando reações de autoimunidade.

Apesar de ainda não sabermos tudo, o tratamento microbiológico já demonstrou resultados espetaculares e incontornáveis na regulação imunitária e evidencia a influência da dieta na alimentação das bactérias benéficas e bactérias prejudiciais, do uso e abuso de antibióticos, stress e outros fatores.

Tal como na política e na religião, na ciência também existem várias correntes de pensamento. Como resultado da prevalência da corrente atual, muitas outras abordagens terapêuticas não são aplicadas ou conhecidas. Neste novo século, é necessária uma nova abordagem ao conhecimento científico, uma abordagem mais sábia, mais em acordo com as leis da natureza.

 

André Dourado

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Fonte: sapo